Caroline Velten começou a atender clientes em casa, na periferia rural de Cariacica (ES), em 2019. Curso O Poder da Fibra já teve 8 mil alunas desde seu lançamento, em 2020
A empreendedora e manicure Caroline Velten, 27 anos, começou a atender clientes em casa em 2019, na periferia rural de Cariacica (ES). Na época, ela trabalhava como assistente administrativa em uma empresa do setor de gás e ganhava R$ 1,6 mil, salário que era a principal renda da família — sua mãe recebia R$ 700 mensais trabalhando como faxineira. “Eu estava triste no trabalho e sempre gostei de cuidar das unhas e ver vídeos sobre o assunto”, diz ela sobre a ideia de negócio.
Naquele ano, Velten se demitiu, fez aulas de alongamento com fibra de vidro com uma manicure de sua cidade e começou a empreender em casa usando o dinheiro do seguro-desemprego. O negócio cresceu. Desde 2021, a empresa é focada apenas em cursos online, sem atendimento a clientes. No ano passado, o curso O Poder da Fibra faturou R$ 3,5 milhões.
O negócio teve um crescimento forte na pandemia e, de acordo com a empreendedora, funciona como capacitação para pessoas que querem aprender a técnica de alongamento de unhas com fibra de vidro. Velten diz que o diferencial de seu produto é um módulo final que ensina as alunas a empreender. “Estudei administração de empresas com uma bolsa do Prouni e me imaginava como diretora de uma multinacional. Nunca vi meu serviço como um bico, mas como uma chance de negócio. Ensino minhas alunas a terem essa visão empreendedora”, afirma Velten, que já teve 8 mil alunas.
Velten credita seu sucesso a alguns fatores, como ao fato de viver em uma cidade pequena, o que possibilitou que ficasse conhecida rapidamente em sua região. “Fiz as unhas da caixa do mercadinho do bairro. Outras mulheres viram o alongamento e quiseram fazer. Aí, comecei a trabalhar muito o meu Instagram”, conta.
A estratégia deu certo, fazendo com que sua agenda ficasse concorrida. No fim de 2019, Velten deu um curso presencial a suas primeiras alunas. “Eu só tinha quatro meses de experiência, mas sempre é possível ensinar o que se sabe a alguém que tem menos conhecimento do que você”, diz.
Meses depois, a pandemia de covid-19 chegou ao Brasil e a empreendedora teve de encerrar seus atendimentos em casa. Fazendo uma manobra arriscada – já que muitos empreendedores estavam entregando seus pontos físicos –, Velten alugou uma sala comercial em uma movimentada avenida da cidade. Seguindo os protocolos de cada momento da reabertura, passou a atender uma cliente por vez. Em junho de 2020, ela fez uma capacitação em infoprodutos e em outubro daquele ano, lançou seu curso.
“Gravei e editei todo o meu curso pelo celular. Atendia as clientes, conciliava a agenda com as gravações, cuidava do Instagram. Fazia tudo sozinha, crescia na rede social de forma orgânica, minhas fotos de unha viralizavam”, conta. Em 2020, ela faturou R$ 185,5 mil. No ano seguinte, a empresa de Velten registrou receitas de R$ 1,8 milhão. Em 2022, com investimento de R$ 97 mil em tráfego de publicidade nas redes sociais, o empreendimento chegou a um faturamento de R$ 3,5 milhões.
“A última turma teve 1,6 mil alunas, agora queremos ter de 2 mil a 2,5 mil. Vamos investir R$ 300 mil em tráfego”, diz ela sobre a expectativa para 2023. Velten espera faturar R$ 5 milhões neste ano e planeja lançar outros cursos além da capacitação que já é comercializada. “Queremos criar aulas de outras técnica, como cutilagem e esmaltação em gel, com foco na transição de carreira e em capacitações no trabalho de manicure”, afirma.
Fonte: https://revistapegn.globo.com/
